Nos últimos meses tenho me dedicado a pesquisa, uma pesquisa voltada para a busca do conhecimento e não meramente da informação, como se resigna a maior parte dos trabalhos jornalísticos. No processo de produção da notícia e da busca por informação, os deadlines e prazos de entrega se encurtam a medida que a velocidade com que as notícias se propagam aceleram e se disseminam.
Todos querem participar daquele momento do registro da história, informar, se sentir informado, estar preparado não somente para entrevistar, mas também para ser entrevistado pelos curiosos, que inevitavelmente criam expectativa quando conversam com um jornalista.
A sociedade espera que os jornalistas saibam sobre quase tudo, que seja um intelectual, político e dotado de um senso crítico afiadíssimo. Isso glamorisa, encanta, hipnotiza. Não vou mentir aqui, isso é ótimo, adoro todas estas características, mas sou daquelas que gosta de honrar os títulos e atribuições e não me contento com o superficial, agora estou atrás do conhecimento.
Neste mês de outubro participei de dois eventos na área da comunicação em São Paulo. O primeiro foi a 68ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que se propôs discutir o futuro do jornalismo e da profissão e o II Congresso Internacional de Comunicação e Consumo, organizado pela ESPM São Paulo.
Dois eventos distintos, com fins e propósitos diversos, tratando do mesmo campo: a Comunicação. Ambos encontros poderiam contribuir para o desenvolvimento de conhecimento aplicável e acumulável, para ser transmitido e disseminado, no entanto o que percebi foi evidente, interesses comerciais ainda caminham em caminhos distintos dos percorridos pelos ansejos acadêmicos.
Enquanto a SIP procurou colocar a baila as opiniões comerciais de painelistas e palestrantes renomados, no alto de seus cargos de chefias das grandes redações e veículos de comunicação, o Congresso procurou através de pesquisas, expor situações cotidianas, estudos de caso, instigar o real debate que a comunicação necessita na Era da Informação, levantando tema de extrema relevância e valor social: o consumo nas mídias.
Jornalista com diploma ou sem diploma?
Eu não crítico o evento realizado pela SIP como um todo, tiveram sim ideias interessantes a serem compartilhadas, principalmente ao que se refere ao investimento em novas tecnologias e em profissionais que trabalham com multiplataformas.
No entanto, no meu ponto de vista o debate privilegiou a exposição de uma ideologia dominante economicamente, exigente e por que não hipócrita se levarmos em conta tantas contradições ao se exigir elevado grau das técnicas dos profissionais mas desprezar a necessidade de diploma para a profissão?
Eu admiro todos os profissionais que estavam lá presente. Eu admiro aqueles que se destacam, procuro conhecer o caminho daqueles que alcançam o sucesso para me inspirar. Mas trilharei meu caminho agregando bons exemplo as minhas iniciativas e ideologias.
Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo do Grupo Estado, admirável profissional, falou sobre questões inerentes a profissão ao destacar a importância de aliarmos conhecimentos teóricos clássicos da comunicação ao conhecimento tecnológico e informacional. Apesar desse reconhecimento, ao ser questionado sobre sua opinião a respeito da necessidade de diploma para exercer a profissão como jornalista profissional, Gandour foi categórico: "sou contra a necessidade do diploma".
De pronto Gandour respondeu a pergunta, frente a dezenas de jovens estudantes de comunicação, chocados, que investiam tempo do seu domingo para ouvir os profissionais que acreditam admirar. Eu? Fiquei decepcionada e cheia de dúvidas.
Primeiro gostaria de saber: aqueles profissionais que não passam pela formação acadêmica, onde temos profissionais capacitados para nos orientar, de onde tirarão conhecimento sobre as teorias clássicas do conhecimento? Qual seria o território ideal para entrar em contato com as tecnologias? Para a prática ser acessível aqueles que sonham desempenhar a profissão mas não nasceram em família renomada?
Se as Faculdades e Escolas no Brasil oferecem uma educação ineficiente será isso responsabilidade dos estudantes que acreditam estar investindo no conhecimento? Em um país que depende de cotas para garantir inclusão e acesso a educação é no mínimo contraditório negar a necessidade de diploma para exercer profissão de elevada importância social e econômica para o país.
Esperança na pesquisa acadêmica
Em um contraponto do desgosto que foi assistir aos renomados profissionais, tive oportunidade de resgatar minhas esperanças ao assistir a apresentação de trabalhos acadêmicos sobre consumo na comunicação. A partir de pesquisas, reflexões, debates, estudos de caso, diversos estudiosos apresentaram seus trabalhos no II Congresso Internacional de Comunicação em Consumo na ESPM, resultado de esforço, de abdicação e de muita pesquisa.
Minha impressão é que falta sinergia do mercado com o conhecimento. Não precisamos somente de profissionais no Brasil, precisamos também de uma economia interessada em investir para ter bons profissionais no futuro. Como diz o Prof. Dr. Jorge Gonzàlez de forma bastante simples, não se produz conhecimento, como se faz um pão de queijo. Conhecimento exige esforço, interesse, investimento,pesquisa e tempo.
O importante aqui não é somente criticar. O meu desejo mais intrínseco e verdadeiro é contribuir para ampliar as arenas de conhecimento e de debate de maneira que eu possa contribuir algum dia para estimular a busca por mais qualidade de informações no jornalismo, valorizar profissionais que atuam nesta profissão e principalmente estimular a comunicação.
O importante aqui não é somente criticar. O meu desejo mais intrínseco e verdadeiro é contribuir para ampliar as arenas de conhecimento e de debate de maneira que eu possa contribuir algum dia para estimular a busca por mais qualidade de informações no jornalismo, valorizar profissionais que atuam nesta profissão e principalmente estimular a comunicação.






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