Fui assistir a este filme sem muita expectativa, fiz uma breve leitura de seu resumo e na leitura nada especial chamou minha atenção logo de cara ou evidenciava ali um filme que me agradaria. Mas o fato é que me identifiquei com o nome do filme e sentei lá, atenta a todas as cenas em mais de 2h30 de filme.
O título "Na Estrada" foi o que me atraiu primeiramente, consecutivamente, o nome do diretor e a atriz Kristen Stewart. Eu gosto dos filmes que me surpreendem, e este é um exemplo. O filme tem um salto de emoção e adrenalina que não se espera nas primeiras cenas, mas que logo se encaixam e se desenrolam em sincronia, tornando o filme loucamente excitante, o que nos faz querer saber o seu desfeixo.
Estamos acostumados a ver sexo e nudez nos filmes e telenovelas, mas o sexo deste filme, ao meu ver, me pareceu mais carnal, natural, espontâneo, instintivo. Ali eu vejo o impulso e desejo pelo ser e não pelo capital, como vemos na maioria dos filmes comerciais hoje em dia, sempre vendendo algo no sexo.
Algo no filme me lembrou ao clássico "O Último Tango em Paris", talvez por que me chocou tanto quanto, ou talvez pela semelhança nos instintos mais intrínsecos e depravados da natureza humana. A verdade é que o enredo deste, muito mais me fixou a atenção do que o clássico com Marlon Brando.
Um dos pontos principais do filme é a expressão artística, um retrato daquele grupo, que coloca jovem escritores novaiorquinos no centro do enredo, o que também é inspirador. Não pelas loucuras, alcool e todos os tipos de drogas que eles procuram a inspiração, mas por verem na vida a arte, e num rabisco, um pedaço de papel qualquer e um lápis, a concretização de sua expressão.
Os atores estão incríveis, o personagem Dean (Garrett Hedlund) é impecável em sua atuação, em todos os aspectos seu personagem parece real, ele esta no papel de corpo e alma. Sal Paradise (Sam Riley), personagem a partir do qual se desenvolve a história, representa com os olhos. Kristen Stewart surpreende em cenas marcantes do filme, e da alma, apesar de ainda poder identificar nela traços iguais em quase todas suas personagens.
Na Estrada não restringe a mostrar três jovens que procuram algo que não sabem o que é e pegam a estrada. O longa transmite paixão, arte, vida, uma geração retratada em todos os aspectos. A musica, a literatura, os cenários são elementos que enriquecem o vídeo e a atuação encantadora e marcante do elenco.
Comparações com a literatura me parecem descabidos. Os sentidos despertados são outros e a verdade é que ao ver este filme fiquei ainda mais curiosa para ler o livro inspirador.
"Os únicos que me interessam são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, que querem tudo ao mesmo tempo, aqueles que nunca bocejam ou falam obviedades, mas queimam, queimam.... queimam como fogos de artifício em meio a noite"
Curiosidade:
Baseado no romance de Jack Kerouac, On the Road lançou as bases da geração chamada Beat, um grupo caracterizado por dizer não ao conformismo. Os Beats propunhan sexo selvagem, uso de drogas, afastamento das raízes familiares e a escrita experimental, uma geração que viveu dos anos de 1950 à 1970.
Os Beats também introduziram a poesia e a prosa que soavam como jazz, a literatura que adotava religiões orientais (o budismo, acima de todas), os temas dos índios americanos, a homossexualidade, a resistência ao alistamento militar e toda uma gama de ideias anteriormente inaceitáveis.


